
Hoje acordei intrigada.Uma amiga que foi muito próxima, escreveu um comentário no Facebook que por um momento achei que fosse eu que havia escrito aquilo.
O motivo da minha intriga com tal comentário, suspostamente inocente que ela fez a respeito dela, me deixou pensando se nosso olhar corresponde a realidade.Quando olhamos nem sempre examinamos ou vice-versa. Olhar é o sentido atribuído a visão, manter os olhos – órgãos da visão- em seu exercício.Examinar é enxergar(sinônimo de olhar) e interpretar.Como interpretar o que vemos?
A interpretação depende das nossas relações com “as coisas” que nos cercam, com as nossas vivências e nossas conclusões que fazemos dela. Entram crenças, fatos, situações positivas e negativas, convicções, ou seja, “coisas”. E chamamos de coisa substantivos que queremos generalizar e não denominá-las.(TInha uma professora que odiava esta palavra coisa, porque não expressava coisa alguma, mas eu respondia que coisa poderia ser qualquer coisa!Ela dizia que eu estava coisando a Língua Portuguesa).
Se qualquer conclusão que tiramos é como vemos e examinamos os fatos, através de nossas experiências, elas podem ter erros?Então, a minha amiga pode estar errada, como eu estive errada em não me perdoar por ter falhado tanto? Será que falhei realmente?Minhas lembranças do que eu projetei para mim, nenhuma se realizou na verdade, nem cheguei perto.Andei de coturno e joguei uma aliança de prata que parou em algum bueiro do Jabaquara.Joguei o cheque da terapeuta e falei deposita se quiser, porque não venho mais nesta porra.Assinei vários papéis de demissão, porque eu não sabia onde me encaixava. Mudei minha aparência muitas vezes, porque não sabia qual era a imagem que eu via, se era aquilo que eu queria.Quem foi que falou que eu tinha que chegar neste momento da vida com metade das resposta de minhas perguntas?Devo ler a placa de Game Over aos 30? Não é cruel? Não quero examinar o que escrevi em tachado. Não quero pensar se venci ou se perdi, isso é sub-humano.É tortura psicológica, POSSO ACABAR ENLOQUECENDO.Será que penso assim porque minha mãe na minha idade, em 1986, já tinha a maioria de suas perguntas respondidas. Ninguém me falou nada. Ninguém me respondeu nada.Eu sempre achei isso, porque foi isso que eu vi.





